
Implementados no cérebro os Zoe chips são capazes de registar uma vida inteira, assim após uma pessoa morrer os especialistas da Zoe Tech conseguem extrair estes mesmos dispositivos e seleccionar os vários momentos que assinalam a vida, a que chamamos memória. Todo este processo está reunido neste filme. Durante um funeral, numa homenagem a um falecido é mostrado um vídeo, fruto de uma tecnologia que só está ao alcance dos especialistas mais privilegiados.
Alan W.Hakman (Robin Williams) é um desses especialistas, é portanto alguém que tem em si o poder de editar estas memórias. Hakman consegue apagar os momentos menos bons da vida, ou seja, os pecados das pessoas e torná-las quase que santificadas.
Porém, ao editar as memórias de um importante membro da empresa onde trabalha, Alan descobre algo sobre a sua própria vida - uma distante imagem da sua infância que desde sempre o assombrou. Assim, lança-se numa intensa busca pela verdade dos acontecimentos através do material que tem disponível, aquele que o permite investigar o passado. Isto, coloca a sua vida em risco, bem como o ciclo de relações que mantem com as pessoas à sua volta, como por exemplo a sua namorada. Leva como que uma vida dupla.
Alan no filme representa a tecnologia, o futuro, mas ao mesmo tempo o isolamento, a solidão. Faz-nos pensar que as novas tecnologias, que actualmente dispomos, trazem enormes vantagens e facilidades mas, muitas vezes, jogam com a sociabilidade humana e limitam as relações interpessoais que são o verdadeiro relacionamento, aquele que faz e constrói a pessoa humana.
Alan é uma pessoa que vive só e infeliz, que passa grande parte do seu tempo sincronizado com todos os aparelhos tecnológicos, esquecendo o mundo que o rodeia. Muitas vezes quando passamos demasiado tempo em frente ao computador a jogar, por exemplo, sentimo-nos inúteis e que o tempo esteve perdido.
Em contra-posição temos Dalila, a namorada de Alan que se enquadra na tradição, na sociabilidade, na emoção, e que representa a própria violação da privacidade. Dalila vive num mundo à parte de Alan, até descobrir os seus segredos. Ela não tinha noção desta assustadora vida dupla de Alan.
Nós preferimos acreditar que um uso equilibrado da tecnologia será a opção viável para a utilizar. É assustador que, cada vez mais, a evolução tecnológica invada a nossa privacidade. Nos mercados surgem constantemente novidades como telemóveis com câmaras que conseguem detectar onde uma pessoa está num exacto momento, ou frigoríficos que sozinhos detectam quando falta um determinado alimento e enviam essa mensagem para o telemóvel. Com isto questionamo-nos onde isto irá parar?
À actividade de Alan poderíamos conectar algumas semelhanças com situações que acontecem nos dias de hoje. Exemplo disto é o Tibete, onde acontecem massacres e, no entanto, muitas vezes escapa aos nossos olhos, esquecendo-nos que existem. Parece que existem pessoas capazes de conseguir remediar aquilo que nos podemos lembrar.
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